sexta-feira, 29 de maio de 2009

As Relações Amorosas e o Reino dos Guarda-Chuvas


De todas as relações, as ditas amorosas são as mais estranhas.

Como o nome diz, uma relação é algo que acontece entre duas pessoas.

O que acontece com apenas uma pessoa não é uma relação. Por mais “pessoas” que existam dentro de apenas uma.

Não se começa uma relação sem algo que aproxime duas pessoas. No caso das relações amorosas seja a atração física, intelectual ou até financeira, algo dá impulso à relação.

Carinho, ternura, simpatia, gentileza, respeito são alguns dos muitos elementos que coroam e marcam o território do acontecimento amoroso.

Entretanto, apesar de mexer com os elementos mais profundos que existam numa pessoa, a relação amorosa para terminar basta que um o deseje.

Se um o desejar, aquela pessoa por quem se fantasiou uma vida inteira de mil possibilidades desaparece e sem deixar rastros, cria um rombo onde antes existissem expectativas. Os sonhos podem ser reduzidos a pó com menos do que um telefonema.

Diremos então que as relações são muito menos amorosas do que odiosas. Porque o ódio é fiel, ele quer manter sob sua guarda o objeto de seu rancor. Já o amor, para onde vai o amado que não ama mais? Que fim toma aquele que não deixa atrás de si nem uma pegada, que muitas vezes muda o número do seu telefone, bloqueia sua conta, corta o contato da forma mais radical possível, por simplesmente não querer saber nem da mais remota dor que possa ter plantado no outro?

O destino dos que decidem acabar com o acontecimento que costumamos chamar de amor é o reino encantado dos guarda-chuvas perdidos.

Qualquer um pode encontrar um guarda-chuva perdido, exceto seu dono. Um novo amor está ali, a espreita daquele que termina o evento amoroso: mas jamais será aquele a quem ele abandonou que será o eleito das novas ilusões a serem estas também perdidas, num futuro incerto que beira a última palavra e o próximo gesto definitivos.

Por que terminam as relações amorosas? Simples. Porque as relações amorosas dependem de dois para começarem, mas dependem apenas de um para terminarem.

Os guarda-chuvas, no reino dos guarda-chuvas, passam todo o tempo a voar. E só precisam de um pouco de vento e chuva para desaparecerem no espaço.

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