quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Gordinhos Unidos Jamais Serão Vencidos


Vem aí o Natal e antes todas estas festas onde o pessoal realmente conta que a gente, por ser gordinho, vá funcionar como uma espécie de peixe limpa-fundo. Comeremos todos os pudins, todos os pavês, todas as rabanadas, repetiremos o peru, a farofa, o arroz e até a azeitona assassina. Tudo porque realmente gostamos de comer e porque somos viciados em sermos a alegria das festas.

O que é uma festa de natal só com gente magra que come só as alfaces, os tomates, uma única porção do peru, uma única colher de farofa, nada de arroz e uma unidade pela metade de pudim com zero rabanada se não um fiasco e o diploma de mau cozinheiro ao cozinheiro e de mau anfitrião ao anfitrião?

O gordinho é o personagem que garante o sucesso da festa. Mas será a festa o sucesso do gordinho, que depois vai ter dor nos joelhos, nos pés, na coluna por excesso de peso, vai ter que controlar o açúcar, correr o risco da diabete, correr o risco das doenças cardiovasculares e toda uma penca de problemas que só acontecem porque o sujeito gordinho é gordinho?

Querido Colega Gordinho, você definitivamente vale não pelo que pesa ou pelo que come, mas por seu astral, por sua alegria contagiante, por sua capacidade de empatia e solidariedade. Você não precisa ser gordinho para assim amortizar as durezas do mundo com seus braços tão gostosos quanto travesseiros. Quem realmente torna o mundo mais doce é a sua própria doçura e sua doçura vem do seu coração e não do açúcar dos sorvetes e pavês.

Se você desejar emagrecer, emagreça, você pode. Mas se não desejar, não o faça. Você não TEM QUE ser magro. Até porque problemas de joelho, pés e coluna, diabetes e doenças cardiovasculares acontecem com gente magra também. Você pode ser magro- se desejar. Tudo o que é bom em você, continuará em você porque estas qualidades que você adquiriu por força de tantos pudins agora são suas, mesmo depois que se foram os pudins. E talvez estas qualidades nada tenham a ver com pudins. Talvez tudo já estivesse aí, o pudim tenha sido só um gatilho.

A ciência ainda não descobriu a chave do bom astral dos gordinhos.

Mas de qualquer maneira, caro colega gordinho, neste natal muito cuidado com a azeitona assassina. Tem gente que não tem dó de gordinhos e bota vodu nas azeitonas só para nos prejudicar.

Um comentário:

Revista Êxito na Educação - Blog do Editor disse...

Tenho devorado em silêncio seus textos, como gordinho contumaz frequentador de blogs que belisca aqui e ali as saborosas pérolas que encontra, como se fossem brigadeiros, rabanadas e pudins. Mas tenho sido tão discreto em assumir essa bulimia silenciosa, como quem assalta de madrugada a geladeira do talentoso amigo em busca de textos que devolvam parte da cota de sorrisos que distribui ao longo do dia, como gordinho gaiato, macio, agradável ao toque alcochoado, aconchegante ao abraço sempre disponível.

Mas ao ler mais esta tua saborosa baba de moça - talentosa que és -, o gordinho que sou e que lutou nos últimos dois meses para perder dez dos vinte quilos recomendados pelo médico, sacudiu a pança de alegria, a ponto de pingar um leite condensado em um café straight up como têm sido os meus recentes cafés.

Gratíssimo pela deliciosa sobremesa (acabara de comer uma folha de couve americana com guacamole dentro) e pelo abraço calórico que aqueceu esse meu dietético pré-natal!