quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Dar certo


Dei tão certo dei tão errado
A vida é tanta que não dá
Pra se definir
O tanto certo e o tanto errado
Dessa estrada que varia até o fim

Coisas certas são as que dão alegria no coração
Errado é ficar num mar que não dá pé
Sem saber nadar

Todo vento tem sua porta e janela pra bater
Toda porta e janela tem um mundo pra se olhar
Mundo que dá voltas
Voltas dá
E nunca termina num mesmo lugar

terça-feira, 19 de agosto de 2008

O Ciúme


Sinto ciúmes de você. Ciúmes- palavra que cabe em todas as línguas e que igualmente mata em todas as cores.

Dizem ser um monstro de olhos verdes. Não creio. Qual é a cor dos pântanos? A cor do sufocamento? A cor do abandono?

A cor sem cor da morte. A morte aos pouquinhos. Quando se abrem os braços, quando os olhos endistanciam presenças. O pensamento encorpa águas e sereias malvadas cujos cantos têm o poder de roubar os corações.

O que dizer sobre o ciúme? O que nos enche de palavras cujo sentido se perde ao alcançar o ouvido do outro?

O ciúme é a palavra inútil, esvaziada de suas possibilidades. Sons que se atropelam e extinguem todos os significados.

A pedra no peito que viaja até a língua inutilmente. O gesto que foge do próprio corpo que o executa. A presença que se desfaz como fumaça por mais pedra madeira ou papel que seja.

Eis um monstro que tem uma cara boa e um sorriso irresistível- posto que assim o sejam todos os que traem. E tem a lógica própria dos pesadelos quando surgem nos olhos despertos.

De quem se sente ciúme, se para cada instante de existência, o ciumento se perde de si mesmo? Desfaz sua história, desmancha sua cama, enforca-se nos lençóis antes macios daquilo conhecido como amor?

O ciúme mora num lugar de fim do mundo e não há como se crer possível voar com tamanho peso. O ciúme é o medo sem a poesia das lágrimas. É sempre uma imensidão constituída de nadas e ferocidades cegas.

A única coisa que se vê, por este ponto de vista sempre desesperado, é o corpo do outro, o amado, desejando e sendo desejado por alguém que não somos nós. O relógio pára naquele exato minuto que se percebe que nunca mais se será feliz.

Falar sobre o ciúme é necessariamente falar sobre o lado mais sombrio da alma e o mais feio companheiro do amor. Contra ele nada se pode. É a luta inglória contra o leão e uma fuga igualmente sem efeito. Pensando bem, quem dera que o ciúme fosse como os leões e tivesse um corpo fora de nós, uma existência de savanas. Mas não. Meu ciúme sou eu. Contra mim, nada posso. De mim, jamais a fuga é completa. Sentimento sempre selvagem e deslocado nas modernas urbanidades.

Não se escolhe vivê-lo. Ele é quem nos encontra e faz com que a cada pensamento ilumine uma traição. Maldita luz que desencava de vez a nossa permanente incompletude. Dele me escondo e faço de conta liberdades que jamais senti ou vivi. Talvez assim, iludindo a mim mesma, consiga dele me livrar. Quem sabe.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

filho, a poesia suficiente

só precisa de uma palavra: filho

e pronto, tudo está dito, tudo significado, tudo poesia.

http://www.youtube.com/watch?v=VG4JZC_JnCE

Há dias que não acontecem.


Dias que se está perdido, que nenhum mapa te guia.


O corpo aqui padece. Gripe. Água por todos os lados. Um beijo contaminado de vazio. Quero estar, quero querer – e não quero nada. O que fazer? O mundo nem sempre cabe em palavras. O próprio amor, não cabe em suas quatro letras – pois se às vezes é ódio, é caos, outras é a ordem dos objetos, cada um ensolarado de sua presença. Talvez o amor seja a medida do absurdo ou vice-versa. O amor foi feito para versos, canções, tudo o que é passarinho. Bichos feito de plumas, carne e sangue, carregados de milagres onde fazem seus ninhos, eles que são vôos.


A memória se esvai. O céu fica. E nos cobre a todos – o céu que se estrela fosse, seria estrela guia. A mãe está sempre à esquerda de todos os nossos medos até porque é ela que nos reza. Nem sempre a vida faz sentido. Ela passa. Sem que a gente sinta. Um anjo dita o silêncio das coisas. Para que estas apenas sejam. Pequenas ou grandes. Suas vontades de coisas que são.


As melhores coisas sempre serão inacabadas. Um dia, apenas um dia – e nunca mais. Parece absoluto. Ás vezes até é. Mas se espremer um pouco, ainda sai lágrima, ainda é vento, ainda está vivo. Por isso nunca se aproxime demais das coisas mortas. Elas são pó. Pó cheio de dúvidas e dívidas. O pó enamorado. Tocado pela vida e pelo milagre. Como é que agora vou dar beijo na boca estando tão gripada? Te quero. Mas estou fazendo água. Desejo adiado será que afunda navios ou emerge ilha deserta onde finalmente, o corpo se entrega ao mar onde apenas a letra A lhe completa?

domingo, 27 de julho de 2008

Inacabado


Meu sexo. Esquenta esfria. Esquenta. Estou só. Inabitável. Não constituída. Pra quê tatuagens quando a vida sempre nos marca?

Sou uma vaca sem meu sininho, perdida... Sem minha paixão, não existo. Porque todas as palavras têm outro gosto quando se está na beira do abismo. Apaixonada. Irremediavelmente. Sempre é irremediável a paixão. Paixão com remédio é prozac.

Política? Coisa insuportável como assunto. Boa como prática. Mas como assunto literário? Não me convence. Prefiro pensar em pintos e xotas. Donde viemos e para onde iremos. No fundo do cu. Redondo. Reluzente diante da luz que nunca bate.

O homem que você realmente é não me importa. Nem a mulher que em mim resiste. Isso é assunto pra análise. Meu papo é outro. A construção, palavra por palavra, gesto por gesto, do homem que me conhece mais do que a mim mesma e me pega por trás, sem uma única palavra. Desconhecido e rude. Ancestral.

Não quero saber das suas opiniões. Nem das minhas. Não valem grandes coisas. Não mudam o mundo. Achismos não mudam nada. O país no caos. Ora, e quando não esteve? Aliás, qual o país que não está mergulhado no caos da civilização em decadência? Decadência. Que sei eu da decadência? Ou da ascensão? Sei de mim, de você quando respira ao meu lado, quando pega meu peito e enfia a língua na minha boca. Aí sim, falamos a mesma língua.

Qual é a sua língua? Qual é a sua resposta? Sua resposta não me interessa. De verdade. De mentira. A mentira eu sei, é apenas o lado oculto da verdade. A verdade quando sonha, amanhece no jardim da mentira. Assim construímos nossas ilusões de coisas absolutas e tangíveis.

A única hora que deixo de habitar minha mente é quando tenho medo. O corpo coça, arrepia, o sangue circula mais rápido que o sentido. O sentido passa a ser sentimento. E finalmente, as lágrimas. Nelas me desfaço, desato meus nós, me purifico. O mar de Iemanjá, suas flores, tudo enfim exato.

Amontoar palavras junto às roupas, desnudar finalmente o ser. Deixá-lo livre, como nunca foi nem será. Por mais homens que me penetrem, meus segredos ficam além do fundo onde o fundo do pinto aponta. Ou assim quero crer. Prefiro acreditar que sou um pouco além do que minhas vísceras, mas tenho certeza que se aqui houvesse uma barata, tudo o que eu conseguiria fazer seria gritar.
O nojo plantado em mim das coisas que simplesmente como eu, respiram. Criaturas de carbono. Somos todos. A barata inclusa. A buceta inclusa. A buceta inclusa como o dente. O dente incluso, a buceta inclusa. Arrancar meu dente amanhã. Gostaria de fazer um diário ao contrário. O diário do futuro, onde só escrevesse aquilo que ainda está por vir. Agarrado ao instante presente e ao futuro incerto. Sendo criado. Ainda inexistente. A vida vista por um espelho. Parapluie. Que linda palavra. Tudo é sempre

quinta-feira, 10 de julho de 2008

show de julho no luigi´s

Estas imagens foram captadas no meu show de julho no Luigi´s, RJ, 06 de julho/2008

Sapatinhos: letra: Cynthia Dorneles, música: Bruno Tavares
http://www.youtube.com/watch?v=2YVO6-a60oM&feature=related

Amantes: letra: Cynthia Dorneles, música: Bruno Tavares
http://www.youtube.com/watch?v=x_0I4yZwo4o

Cordeiro de Deus: Zeca Baleiro
http://www.youtube.com/watch?v=08R4g6H2OB4

quarta-feira, 14 de maio de 2008

meu show dia 06 de maio no Luigi

Meu show no Luigi, dia 06 de maio, de 2008. Músicas Cordeiro de Deus, de Zeca Baleiro e As Velas do Mucuripe de Belchior.

Cantar? Cantar é bom pra caralho. O resto é fila.

Link do Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=oFg2KzezDmQ