segunda-feira, 14 de abril de 2008


Hoje sonhei com um homem que já foi sonho um dia. As coisas que perdemos quem as acha? Movi uma pedra, movi um graveto, movi o véu que cobre o rosto da montanha. E o que vi é um lugar onde ninguém jamais precisaria dar adeus. Para quem quer voar, a única bagagem possível é o sonho. Mesmo pétalas e plumas pesam demais.

Cada vez que você vai, vai contigo meu coração e minha paciência. Aqui sozinha, me pergunto do que são feitas as lágrimas e só sei qual gosto elas têm. Nenhum livro de ciências sabe por que afinal se ama ou por que afinal se esquece de tudo o que é inesquecível.

Bem que gostaria de estar num outro lugar, viver uma realidade Matrix onde nenhuma bala me acertasse e tampouco um olhar de desprezo ou a tua indiferença diante do meu desconcerto: por que você não vê que só existe cor por que existe o sol? Por que você não admite que felicidade seja poder amar e ser amado- por mim?

Em vez disso, um dia já teremos passado anos sem nos ver e teremos construído nossas vidas em outros apartamentos, conheceremos outros corpos e nada do que eu ver será a paisagem que te acompanha. A maldição do amor é sempre a ausência. Tudo é doce, mesmo a mordida fatal.

Você acabou de sair daqui e eu já choro. Até quando? Já fingi gostar de peixe, posso fingir que a culpa é das cebolas- mas será que dessa vez você ainda vai acreditar? As paredes já cansaram de mim. Já ouviram tudo o que tenho para dizer. E tudo, foi coisa nenhuma.

sábado, 5 de abril de 2008

um pouco de nuvem, de flor e de impaciência com tudo




Como seria bom ser flor e ser só cor. Como seria perfeito ser vento sem palavras, levar alívio e nuvens pelo mundo afora. Infelizmente, sou uma mulher. Falo e faço bobagens, coisas estúpidas que não fazem sentido algum nem quando eu as faço e muito menos quando delas lembro.

Cansei de explicações que dou quando quero pedir perdão ao mundo por existir assim tão imperfeita. Cansei de sofrer pelo mal que fiz que sou e que não controlo. A vida é maior que nossas explicações ou que nossos erros. E mesmos nós, tão imperfeitos, carregamos nosso destino. A força de resistir, apesar do mal feito e um dia acertar, depois de tantos tropeços, é que nos faz humanos.

Por certo, não tão belos quanto flores, nem tão necessários quanto nuvens, águas ou ar. E mesmo assim, ainda presentes. Provas vivas de um milagre que jamais precisou de um Deus, mas que precisa sempre de calor.

Eis que te peço perdão. Por falar o que não devo, por sentir o que não é certo, por fazer o que não é direito. Peço-te perdão, por puro hábito já que sei que de boa não tenho nem as sobrancelhas. Peço-te que nada me dês, porque de ti nada preciso, salvo talvez que saibas que sei muito bem que errei, e que poderia errar de novo.

Já que desconheces o como me fazer feliz e já que eu tampouco pretendo facilitar-lhe a vida, mantenha distância. A mesma sagrada distância que existe entre nossas cabeças e as nuvens que passam no céu. Elas, como eu, também não sabem aonde irão parar. Elas, como eu, um dia deságuam furiosas montanha abaixo.

Não sou nuvem nem muito menos flor, tudo o que faço é lhes imitar o despropósito. A beleza mesmo em meio ao mais feio espetáculo.

E então, o comentário de amigos : 1. Eliane: "Seria tudo tão mais perfeito se perfeito fossemos a quem perfeito nos é.

Tão mais perfeito se perfeito fosse o momento que nos apresentassem a quem de igual nos fosse e igual tivesse.Tão diferente seria não fosse o descompasso de ser.Tão maravilhoso seria não houvesse na vida tantos destinos desiguais que num instante tão igual ao nosso se faz. Mas tão distante de poder ser!E dizer que se quer apenas o quanto tanto é o que o outro quer!Mas, é a vida".
2. Águia: "Mas, Cynthia, saiba que você é um jardim.Um jardim com pragas, insetos, vermes. Um jardim com humus, ervas daninhas, cogumelos. Um jardim ornado com plantas e flores. Um jardim coberto de luz e muito perfumado, Que atrai belos pássaros e borboletas coloridas. Aliás, para ser belo, Um jardim precisa de tudo isso, Precisa desses seres vivos, interagindo nele todo...Você é mulher, é bela.Você é inteligente, culta.Você é sensível, sensual.Orgulhe-se de você, Cynthia.Eu me orgulho muito...Por você, viu?
3. Elizabeth: "o que somos nós?
mutáveisadoráveisimperfeitoslíricossonhadoresrealistasmezza machistas/feministas
quer lógica?..."
4. Tche: "Um parágrafo
... Aquela pessoa que você se apoiava foi embora? Sinal que não te merecia... Tem mais de trezentos milhões de pessoas sozinhas, pessoas maravilhosas como você e você vai ficar ai chorando... Pelo menos hoje, seja simples, pinte os cabelos de verde, sei lá... Pelo menos vai chamar atenção pra caramba... Tá rindo? É pra rir mesmo, a vida é assim alegre,... Acompanhe a vida aceitando você como você é, com todas as suas qualidades e seus defeitinhos (tudo coisinha pouca)....eu sou mais você!"
5. Antigona: "Mulher minha, minha metadeAgradeço o gozo e o afeto, agradeço o braço e a cama,Agradeço tudo o que esse verbo grato pode conjugar em você. Em qualquer tempo verbal, na eternidade. Sua roupa que é primavera, e sua boca que é um poema. Tudo canta a você. Que eu agradeço, e digo benvida, bem-chega, bem-fica, bem-minha. Mulher do cabelo em revoada, De ancas largas, poesia concreta. Da boca aberta e a nota solta, olhos fechados e coração aturdido. É você o melhor e o pior que essa natureza geminiana nos permite. E é linda, sob todos os ângulos, a cada capítulo, até o fim"
6. Maria: "para Cyn
Palavras de um poeta de aço e flor.
Erra uma veznunca cometo o mesmo erroduas vezesjá cometo duas trêsquatro cinco seisaté esse erro aprenderque só o erro tem vez(Paulo Leminski)Beijo, querida!"
7. Itamara: "Li seu tópico e como bem diz o Tchê, se foi embora é pq não te merecia. Há sempre um dia após o outro e o tempo tudo cura. Não esquecemos mas, não dói mais como antes. E como bem canta o Zeca Pagodinho, Eu já passei por quase tudo nessa vida Em matéria de guarida não chegou a minha vez Confesso que sou de origem pobre Mas meu coração é nobre, foi assim que Deus me fez E deixa a vida me levar Vida leva eu Tô feliz e agradeço por tudo que Deus me deu Só posso levantar a mão pro céu Agradecer e ser fiel ao destino que Deus me deu Se não tenho tudo que preciso Com o pouco que tenho, vivo De mansinho, lá vou eu Se a coisa não sai do jeito que quero Também não me desespero O negocio é deixar rolar E aos trancos e barrancos, lá vou eu E sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu Deixa a vida me levar Vida leva eu "
8. Mauro: "Conheci (virtualmente, é claro!) a Cyn através e uma sua identidade fake. Na verdade eu nunca soube porque ela tinha esta identidade, pois não conseguia ver diferença entre ego e alterego.
Já se falou que ela é "bocuda", mas bocuda porque não esconde segredos. E é aí que ela se rala. E se ralou. Ouviu (leu) coisas que não deveria ouvir, coisa que não se fala para ninguém. Fiquei constrangido, mas este constrangimento sumiu pois Cyn deu a volta por cima.
Pensando no jardim poeticamente descrito pelo Águia, talvez ali esteja o maior "defeito" da Cyn: ter a alma aberta ao mundo.
Alma, uma alma divina dos guarani, é a boa personalidade, o que a pessoa tem de bom. É o Ñé é da Cyn, escancarada, que faz com que tantas pessoas passem a gostar dela, mas que também deixa caminho aberto para os muitos Angüery soltos por aí.
Não estou me referindo a ninguém da comunidade, mas ao mundo e às pessoas de alma aberta como a Cyn. Ela se torna aquela pessoa que todos passam a gostar com todas as suas virtudes e os seus defeitos. São os defeitos que dão a medida exata das virtudes.Portanto não vi a Cyn pedindo desculpas para o mundo, mas o uso da desculpa como um fiel de balança para equilibrar o que não gostamos com o que gostamos.Desculpar-se então, não foi como uma submissão ao que se pensa a respeito, mas como uma orientação (ou auto-orientação) no mundo em que vivemos.É assim, Cyn, que todos gostamos de você."

quarta-feira, 26 de março de 2008

NÃO-NAMORADO


Meu querido não-namorado
Meu achado
Preciosa descoberta

Não te verei aos fins de semana
Nenhum drama
Nem contigo irei casar

Serás meu sem me pertencer
Me terás sem compromisso

Teu beijo tem um gosto
De uma coisa sem nome

Teu abraço é um laço
Que me prende
Sem querer

Talvez o nosso fim
Seja apenas um começo

Talvez esse começo
Seja o fim visto do avesso

Te quero hoje
Amanhã me desespero

Sempre te venero
Na soma dos instantes

são os anjos que nos pedem silêncio

quarta-feira, 19 de março de 2008

CANÇÃO CONTRA O ÓDIO


Tão perto

Tão distante

Odiar o diferente

Acatar o semelhante

Como você vê

aquele que você não conhece?

Como você vê

você mesmo mudando a todo instante?


Você torce para um time que não torço

Acredita no Deus que não é o da minha igreja

É pobre é rico

É homem é mulher

É jovem é velho

É o estrangeiro

que não controlo

A quem espanco

porque tenho medo


Medo medo medo

Qual é o segredo

de ser macho sem porrada

de ser mulher sem maquiagem

ser humano

ser verdadeiro

ser sempre novo

Tudo começa saindo do ôvo

segunda-feira, 17 de março de 2008

Pelo Fim da Violência das Torcidas Organizadas Dentro e Fora dos Estádios

Hoje às vinte e duas horas, meu filho de quinze anos foi atacado no Largo do Machado por três indivíduos adultos da chamada “Raça” rubro-negra, uma ala radical da torcida flamenguista. Meu filho estava voltando de um aniversário de um amigo, vestindo uma camisa do seu time, o Vasco.

Estes três covardes o seguiram e em pleno Largo do Machado, na frente da Igreja, o atacaram a socos e pontapés, atingindo principalmente o rosto de meu filho.

Fui chamada às vinte e três horas pelo celular por pessoas que o atenderam. Por sorte, estava com um amigo que tem um carro e pude me dirigir rapidamente para o bar Bumerangue, na Rua das Laranjeiras.

Lá chegando, encontrei meu filho muito nervoso, com o rosto desfigurado, chorando. Fomos correndo para o Miguel Couto onde ele foi atendido e para nossa sorte, sem nada mais grave além de uma fissura no nariz.

O Brasil sempre foi caracterizado por ter um povo alegre e aqui nunca tivemos tradição de um povo radicalmente agressivo fosse por questões de religião ou raça. Nossa colonização foi uma das poucas onde os colonizadores se misturaram aos colonizados e a tônica do país foi o de uma receptividade inteligente junto à variedade racial e cultural.

Nos últimos tempos, tem proliferado o comportamento “pitboy” e as torcidas que antes quando muito tinham um ou outro incidente isolado, hoje recorrem à violência como uma constante.

Hoje é um perigo de vida um jovem usar a camisa de seu time e as torcidas parecem tão mais violentas, quanto mais medíocre o futebol tem se mostrado na atualidade.

É necessário que a população acorde para estes fatos e não espere apenas da polícia e do Estado providências para acabar com a onda de violência das torcidas organizadas. Temos que fazer mais do que reclamar ou nos amedrontar diante deste comportamento imitado dos Hoolingans ingleses.

Civilidade é antes de tudo fruto de educação e consciência. Cidadania por sua vez é ação direta e concreta de todos nós.

Pelo fim da violência das torcidas organizadas dentro e fora dos estádios. A escolha do seu time, tal como todas as outras escolhas, só é possível com a verdadeira liberdade para que isto aconteça. Por uma sociedade responsável e sem medo.

Repasse este texto a todas as suas comunidades do orkut, a todos os seus amigos e faça você também a sua parte. Vamos debater estes temas e encontrar solução para isto. Que nenhum outro jovem seja brutalizado como foi meu filho nesta noite de 16 de março de 2008.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Típicos Delírios Femininos


De novo é sexta feira. Tenho aula das seis às dez. Mas e depois? Chamo um moço lindo que sempre quis comer e que reencontrei quando passeava em Ipanema com a Beth, arriscando ele só querer saber de mim como amiga e ficar arrasada ou fico solitária entre meus queridos fantasmas que tomarão conta da cama nesta noite ansiosa? Fantasmas nunca dizem não, é fato. Mas não contam piadas.

Quando revi este amigo, depois ele veio me visitar. Jurei me comportar bem, consegui. Prometi a mim mesma que só daria pra ele com cinco quilos a menos. Ele é belo demais para eu apresentar esta barriga. Só de pensar naquele corpo de homem harmonioso com nada a mais nem a menos, vejo que desisto.

Em tese, era para ser o contrário: eu, como mulher, a bela. Ele como homem, poderia ser feio, porque homem pode sempre ser feio. Acontece que ele é lindo, rosto, corpo e pensamento. Mas também era para ser ele a me telefonar, não eu. Num filme que vi, a mulher mais experiente dizia para a outra, mais jovem “quebre seu dedo, mas jamais ligue você primeiro para um homem”. Quantos dedinhos eu vou ter que quebrar. Um monte. Vai faltar dedo.

Ouço um cara chamado Jacques Brel, francês, brinca comigo e diz que na luz da lua todos os amantes amam pela primeira vez. Ou seja: com sorte, a barriga não é parte do cenário. Coisa que duvido, pois onde quer que eu vá, ela chega primeiro. Esqueço de tanta coisa. Por que não me esqueço dela? Esqueci coisas muito mais importantes que a barriga. Esqueci como era o pau maravilhoso do primeiro cara que me fez gozar. Mês passado esqueci-me de pagar meu seguro de saúde. Se tivesse viajado, iam ter me segurando na fronteira porque estou sem seguro. Esqueço tudo. E nada de esquecer este detalhe íntimo anatômico. Atômico. Penso que poderia existir uma bomba atômica localizada, que só fizesse sumir barriga. E queria que sumisse hoje, até as dez.

Apelo à minha cara de pau. Ele também pode estar sem saber o que fazer hoje à noite. Quais as chances de um cara lindo, morador de Ipanema, estar sem programa para sexta feira? Meus dedos tremem, o celular salta da minha mão e me desafia lá embaixo do emaranhado de fios e pêlos de cachorro. Levo um choque, ele ri. Puxa, por que você ri? Aposto que ele também me acha bonitinha e só não me telefona porque imagina que eu já tenho programa. Não pode ser isso, não? Vem cá, porcaria, me deixa discar o número dele. Se eu cantar Dulcinéia para você, será que você dá uma facilitadinha e chega mais pertinho de mim, longe dos fios e dos choques?

De repente ocorre-me que choques elétricos devem tonificar a barriga. Arrisco. 100 mil voltz me atacam ferozmente. Ela, nada, impávida, continua lá. Mas o celular finalmente está na minha mão.

Olho, olho, os números dele 98920596. Vontade de me desintegrar. Quebro o dedinho como a moça do filme disse? Socorro, eu clamo aos céus. Nada vai me salvar de pagar este mico? Nada? Mal conseguindo olhar para o teclado, finalmente disco. Fora de área, graças a Deus.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Dia Internacional da Poesia se comemora com...uma poesia desesperada!


Se eu rimar angústia com alguma coisa
Do tipo angu
Ou Rússia
Será que a angústia vai embora?

Talvez o mal da angústia seja a falta de rima
E a sina da palavra tão deserto
Tão ferida que não cicatriza
Seja apenas a prima cretina
Que nunca coube numa poesia
Mas sobrou em estrepolia
Por isso nos maltrata
E nos fascina
Poetas bichos esquisitos
Que querem transformar tudo em palavra
E todas as palavras em poemas
Que ninguém lê

No meio da dor de dente
O corpo sofre
E rumina no guardanapo
Onde cospe sangue
Um mangue imaginário
Onde um dentista sem anestesia
Dele tudo arranque
Dente dor angústia e poesia
Melhor folha vazia
A lágrima pendurada no olho
Furado no meio da cara
Torcido em sorriso forçado
Um arado de boi que se faz gente
Uma gente que se faz pasto
E o mundo sem fome nenhuma

Sem pestanejar
Arranco meu coração do peito
Só pra te mostrar
Veja
Que verso bonito!