quarta-feira, 2 de junho de 2010

A Mulher Em Rosa


A mulher em rosa
A mulher pura cor
A mulher puro sabor
É impossível não amá-la
Por mais que muitos até digam que é fácil
Basta não gostar de rosa
Basta não gostar de cor
Basta não gostar de chocolate
Baunilha
Ou avelã
Basta esquecer que existe alegria
E que há o carnaval na Bahia
Mas para nós
Os que cá estamos e não queremos sair nem a pau
A mulher em rosa basta
O deserto feito de cor é suficiente
E a alegria feita de dentes alvos nos redime e satisfaz

foto Jet, site olhares.com

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Sem Saber do Seu Corpo Como Saber de Si?


Sem saber do seu corpo
como saber de si?

Sem saber do seu corpo
como caber em si?

Barriga troncos e membros
todos tão tensos e por aí

Quedam extáticos
ou são vibrantes
tudo em si responde
e não se esconde de ninguém

Falar de liberdade
Estando tenso assim
É pular de salto alto
cair no lago da rã
que ri de você

Não voar como andorinha
vizinha de mundo
dona do céu

Não ser quem pensa ser
ser outro
muito a mais ou muito a menos ser

É só pela palavra
ou no pensamento
que vou fora de mim
que vôo fora de mim

foto Raul Santos site Olhares.com

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Movimento do Pensamento


Meu pensamento se move
enquanto giro a cabeça

Minha cabeça se move
no espaço

Meu pensamento se move
no espaço entre as letras
espaço intangível sem tempo nem vento

Orienta-me a bússola da alegria
os ventos que fazem o instante
ao se perder de mim


foto: Carlos Vilela

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Burguesinha dos teus sonhos


Difícil ser burguesa quando já se andou pelado na praia de Ipanema
mas vá
que seja
afinal já lá se vão vinte e oito anos

Então sou a sua burguesinha
mesmo que me falte um salão
para fazer balayage rinsage bestage
mesmo que me falte uma academia
pra fazer body combact body jumping body que bode

Você não entende patavinas
nem eu
vamos acontecendo entre poeira e caminho
entre vertigem e vontade
entre um agora e um depois

Sou tua sombra que te segue
mas você pensa ser a sombra que me segue
quem de nós mais sombra
quem de nós mais luz
isso a Deus pertence

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A Rosa Roxa do Fotógrafo


Era uma rosa impossível.
Mas se era uma rosa
e se estava sendo uma rosa
como ser impossível?

Era uma rosa roxa
tão roxa que passara do ponto
a rosa que nela morava
hoje para trás estava

Era roxa
a rosa do futuro
o futuro que ao homem pertencia
porque Deus fizera rosas rosas rosas vermelhas e rosas brancas

Era algo impossível
mesmo quando em plena existência
era uma foto
ou um lindo poema

domingo, 28 de março de 2010

Imagens









Tudo começa aqui
e termina no carnaval do ano que vem
todo dia é dia da carne
todo dia é dia de estar vivo

domingo, 7 de março de 2010

Caravelas


Elas chegavam solene e lentamente. Portais no mar, as caravelas, caras de velhas caravanas marítimas abriam um novo horizonte em sua trilha. Onde chegassem, trariam o sonho ou o pesadelo. Imagine um elefante. Imagine um milhão de elefantes. Eis que assim surgiam novas soluções e novos problemas, frutos justamente das soluções.

Toda solução de um antigo problema está grávida de um novo problema.

Num livro que li, a história de um homem que procurava um seixo que transformaria metal em ouro. Cada seixo que ele encontrava, batia na fivela do cinto de metal que usava para ver se este havia se transformado. Ele saiu nesta busca por toda Índia e África quando ainda tinha vinte anos. Subiu todos os rios, correu todos os riscos e deu lá seus tantos risos diante das histórias que ouvia de outros viajantes como ele, em busca de sei lá quantos sonhos. Jogava fora todos os seixos que não eram O Seixo Transformador de Metal Em Ouro Puro.

Um dia, seus cabelos brancos lhe chegando pela cintura, já cansado, sentou-se para descansar sob uma frondosa árvore- a primeira que encontrara após muitos quilômetros. Reparou que apesar de toda fadiga a que submetia diariamente seu corpo, sua barriga crescera um pouco. Talvez mais por cansaço do que por desilusão, decidiu retirar o velho cinto, que ouro puro, reluziu sob a luz do sol. Quando foi que acontecera isto? Que seixo teria sido aquele? Decidiu então refazer todo o caminho.

Assim talvez este mesmo homem estivesse agora numa destas caravelas. Mas de nada isso importa agora neste silencioso caminho feito de marés, ondas e correntes que levariam os homens para onde quer que elas, forças ancestrais decidissem. Elas, as caravelas, junto ao mar que as acolhia, eram soberanas e nunca se deve olhar um rei diretamente nos olhos. É preciso a humildade de se reconhecer meramente um súdito. Súdito de destinos que a nós nunca cabe decidir.